quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O entesouramento da riqueza

“O entesouramento de riqueza é a acumulação de objetos quantificáveis (1) para uso futuro ou (2) simplesmente como tesouro. A ‘situação sociológica’ é tal que as pessoas (1) preferem não consumir nem destruir de outra maneira esses objetos no presente, mas adiar essa ação para um momento futuro, ou (2) preferem as vantagens da simples posse, especialmente o poder, o prestígio e a influência que decorrem dela. A ‘operação’ envolvida consiste em guardar, armazenar ou conservar os objetos para uso futuro, ou para que sua posse e, de preferência, sua exibição ostensiva possam resultar em prestígio para o possuidor e para aqueles que ele possa representar”.
(POLANYI, Kari Levitt. A subsistência do homem. Rio de Janeiro: Contraponto, 2012, p. 160).

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Pensando a ideia de democracia


Mais do que um simples ponto de chegada, a democracia é um caminho em constante construção, tendo em conta que é uma realidade sempre insuficiente. Por conseguinte, o controle democrático da dominação expressa o sentido do realismo político como arte do possível.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Eliminar a fome requer inteligência e ética

De José Esquinas-Alcázar: "O que realmente é paradoxal e indignante é que a fome não é consequência, como acreditam muitos, da falta de alimentos. Hoje, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO, há alimentos no mundo para alimentar folgadamente a população mundial. Os alimentos estão no mercado internacional, mas não chegam às mesas nem às bocas dos que têm fome. Em outras palavras, o problema não é a produção de alimentos, mas o acesso aos mesmos. O problema é, essencialmente, de índole política. Isto foi reconhecido explicitamente há mais de 50 anos por um grande presidente dos Estados Unidos. Em 1963, John F. Kennedy, em seu discurso no primeiro Congresso Mundial de Alimentos, disse: “Em nossa geração temos os meios e a capacidade de eliminar a fome da face da Terra. Necessitamos, para tanto, apenas de vontade política”. Se há 50 anos já existiam os meios e a capacidade para acabar com a fome, imagine hoje! No entanto, continua faltando vontade política para isso."
Entrevista concedida à IHU On-line (05/05/2014)

terça-feira, 1 de abril de 2014

Pobreza e fome

De Hinkelammert (Crítica da razão utópica):
"Na realidade, o mau da pobreza não é a fome. A fome é algo bom. O mau é a impossibilidade de satisfazer a fome. [...] A maldade da pobreza só surge quando após a fome não vem a refeição, após a sede a bebida, após o frio o calor agradável e ao calor uma boa brisa refrescante." 

sexta-feira, 28 de março de 2014

O reconhecimento das necessidades humanas

"O reconhecimento das necessidades humanas ou a sua sufocação em nome das preferências fazem hoje a diferença ente o socialismo e capitalismo. [...] Monopolizar e concentrar os meios materiais de vida é destruir as possibilidades da vida do outro, dado que aquilo que se concentra e se tira não são simples riquezas, mas meios de vida – víveres no sentido mais literal da palavra. [...] À luz das necessidades, trata-se da possibilidade de viver, enquanto que à luz das preferências trata-se somente de viver a níveis quantitativamente diferentes, sejam melhores ou piores. [...] Diante de um simples jogo de preferências, a exigência de mudanças aparece como um resultado da inveja. Diante de necessidades, aparece como uma exigência da possibilidade de viver e como raiz da legitimidade de todas as legitimidades." (Hinkelammert - Crítica da razão utópica).

segunda-feira, 17 de março de 2014

Dica de leitura: Violência, mas para quê?

JAPPE, Anselm. Violência, mas para quê? São Paulo: Hedra, 2009, 55 p.
O texto foi escrito em 2009. Porém, sua análise é atual, sobretudo tendo em conta o atual contexto em que a palavra 'violência' parece ter virando um clichê na boca dos porta-vozes da mídia tradicional, para 'enquadrar' os movimentos de rua na lógica policialesca. Jappe é filósofo nascido na Alemanha.
"Toda e qualquer oposição à política das instâncias eleitas que vai além de um abaixo-assinado ou de uma carta ao deputado local é por definição 'antidemocrática'. Em outras palavras, tudo o que poderia ser minimamente eficaz é proibido, mesmo o que ainda era permitido há não muito tempo. O estado democrático atual está muito mais equipado do os Estados totalitários de outrora para fazer o mal, para perseguir de perto e eliminar tudo o que possa fazer-lhe frente, fez tudo para que a única alternativa seja a barbárie aberta. O que o Estado teme são os movimentos sem chefe e que fogem do enquadramento" (contracapa)

sexta-feira, 7 de março de 2014